29/07/2004 14:24
GALERA JÁ TEM FOTOS DA GRAVAÇÃO DO CD DO HARMONIA NESTE LINK!!!!!
http://www.pida.com.br/colunas/leo/
*ENTREVISTA DO XANDDY PARA O CORREIO DA BAHIA*
Xanddy comanda o Harmonia do Samba em show que dará origem a novo CD e acontece hoje no bairro de origem do grupo, Capelinha de São Caetano *Foto: Evandro Veiga
O Harmonia do Samba volta, hoje, ao cenário onde tudo começou - o bairro de Capelinha de São Caetano - para comemorar o aniversário de dez anos de carreira. Xanddy e companheiros aproveitam a festa, que começa às 17h30, para gravar o novo CD (independente), com canções que o Harmonia tocava bem antes de ser alavancado para a fama nacional. O pai de
Camilly Victória e Victor Alexandre conta que a opção por regravações tem a ver com a necessidade de lembrar ao público quem é o verdadeiro Harmonia do Samba. Luis Caldas e Tatau participam do show, que tem entrada franca, gravando as faixas Que é que essa nega quer e A minha mãe me chamou, respectivamente. Abaixo, alguns trechos da entrevista que o cantor concedeu ao Folha, na qual fala sobre sucesso, afastamento da mídia, questões empresariais e seu casamento com a dançarina Carla Perez.
***
FOLHA - É um reencontro com as raízes?
Xanddy - Sem dúvida alguma. Um grande resgate, uma coisa que a gente já vem buscando há um bom tempo. É um sonho que está se realizando, graças a Deus.
F - Quem é o Harmonia do Samba hoje?
Xanddy - Continua sendo aquela banda inocente de sempre, mas um pouco mais madura também musicalmente. As idéias são bem mais discutidas, e a gente toma todos os cuidados para atingir o nosso público e fazer o que ele gosta. As pessoas admiram o verdadeiro Harmonia e, graças a Deus, procuramos manter sempre essa característica de fazer música que sabemos que o público quer ouvir, mas que nós também gostamos.
F - Por que optaram por produzir um disco independente?
Xanddy - É o nosso primeiro disco independente. Acho que o caminho está sendo esse, todos os artistas estão tomando esta atitude em função da crise do mercado fonográfico. O disco, que ainda não tem título, também é independente para que possamos colocá-lo na praça a um preço barato. Pretendemos lançar o disco por R$9,90 para que o público tenha acesso mais fácil ao nosso trabalho. Estamos em negociação ainda com algumas distribuidoras, mas queremos atingir todas as áreas possíveis para dar condição ao público de adquirir nosso disco.
F - Vocês escolheram sair da BMG?
Xanddy - Vamos dizer que conversamos sobre o que era melhor para todo mundo. Decidimos que o melhor para todo mundo seria tentar ir por um caminho onde pudéssemos ter acesso maior ao nosso público.
F - Como a banda se reposiciona nesse mercado atual, depois de experimentar o furor do sucesso e, em seguida, amargar a ausência da mídia?
Xanddy - É supernormal aparecer uma novidade que acaba virando overdose nas televisões e nas rádios. Mas, depois, cria-se uma estabilidade. Aí tem que haver coerência e a banda deve saber que, a partir desse momento, é preciso mexer aqui e ali para apresentar coisas novas.
F - Vocês esperam voltar a ter projeção local e nacional semelhante à que já experimentaram?
Xanddy - O que vai acontecer agora está nas mãos de Deus, se ocorrer novamente, vai ser maravilhoso, mas se não, tudo bem. Estamos felizes demais porque nosso trabalho é feito de cabeça erguida, com muito respeito e muito cuidado. No começo, nosso sonho era só tocar numa radiozinha de Salvador e fazer shows no interior do estado. O que Deus deu pra gente já tá de bom tamanho, tenho certeza disso.
F - Em que medida o Harmonia tirou proveito da sua figura como um cartão de visitas para o trabalho? Quem vinha primeiro, sua imagem de dançarino sensual ou a música?
Xanddy - A música veio junto. Acho que tudo isso foi uma grande surpresa pra todos nós. Sempre digo que nunca sonhei me destacar com a dança. Tanto é que, desde que comecei a cantar, me preocupava muito com o que estava fazendo, com o que estava cantando, se estava afinado ou não, o suingue da banda, a afinação dos instrumentos. A dança apareceu de forma absurda, mas resultou numa coisa legal.
F - Como será, a partir de agora, dividir espaço no mercado e na mídia com grupos que vieram no rastro do sucesso do Harmonia, com as bandas de forró, de samba de raiz, e o arrocha?
Xanddy - Acho muito interessante, porque a Bahia é superversátil ritmicamente. Estou adorando o arrocha, que é nossa seresta renomeada e tá atingindo todo tipo de público. É muito legal, torço para que continue dando certo. Eu me divirto com o arrocha, coloco no show, brinco. O segredo da Bahia está nisso aí. O músico, a banda, o cantor que não tiver capacidade de entender que aqui há espaço para todos, está fazendo um grande mal a ele mesmo. Temos que colocar no coração que o nosso está reservado e que os outros também merecem uma oportunidade.
F - Os problemas que o Harmonia teve com empresários contribuíram para seu afastamento da mídia?
Xanddy - Não. Estar fora da mídia foi devido às dificuldades financeiras das gravadoras e também à extinção de vários programas de televisão. Os problemas que tivemos com empresários colaboraram para outras coisas que acabaram nos prejudicando, como, por exemplo, estarmos há quase dois anos sem tocar em todas as principais capitais do nordeste. Estamos fora de todos os carnavais fora de época da região simplesmente porque a nossa agenda no Norte e Nordeste é fechada pela empresa Oxalá, do empresário Windson Silva, e ele, não sei por quê, não fecha os shows.
F - O pagode tem funcionado como forma de ascensão social para jovens em situação menos privilegiada. Como se sente sendo modelo pra essas pessoas?
Xanddy - Sinto-me bem. Quando trabalhava como contínuo em banco ou como auxiliar de escritório, planejava aos 25 anos ter minha casa organizada, e depois comprar meu primeiro carrinho. Do nada, tudo aconteceu completamente diferente e eu tive oportunidade de fazer coisas para minha família, minha mãe, meu irmão, que achava que só teria condições de fazer aos 30, 40 anos. Então uma dica que eu dou pra as pessoas que vêem nessa história toda um grande caminho é que nunca deixem de sonhar, mas vão em busca de aprender de verdade. Vão em busca do conhecimento e continuem lutando.
F - Você se sentiu vítima de preconceito por causa do seu casamento com Carla Perez, considerando que, na época, muita gente falou que poderia ser armação ou golpe publicitário?
Xanddy - Na época, foi um grande susto para todo mundo. Eu tive toda paciência de explicar a todos que o que eu estava fazendo era vivendo a minha vida. As pessoas que pensaram que poderia ser uma coisa só para estarmos na mídia, hoje já sabem que não é nada disso. Sinto-me um homem realizado porque vejo que as pessoas conseguem enxergar de uma forma muito sadia a vida que tenho. Sabem que sou um homem feliz, porque hoje tenho uma família maravilhosa, tenho meus filhos, o que me dá mais animação ainda para fazer os meus trabalhos. Quem me conhece sabe que sou o mesmo lá da Capelinha. Não tem frescura, não tem muita palhaçada comigo, meu negócio é feijão com arroz e vamos nessa. Acho que as pessoas já confiam nesse Xanddy, então sabem que não vou nunca inventar uma mentira por vaidade.
enviada por daianny
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